quarta-feira, 17 de junho de 2009

E se Sócrates enfrentasse Jesus






















As férias em Junho são incompatíveis com os anos ímpares. Em 2008, mesmo durante o devaneio que me fez passear em Frankfurt, havia um pretexto para ser regionalista, português enfim. Em 2009, mesmo em Portugal, houve um pretexto para ser Europeu, Bruxelista. Terminada a ronda dos grandes eventos, resta pré temporada: O dia D de José Sócrates(entrevista na SIC às 21.00).

As jornadas futeboleiras têm um encanto distinto dos eventos que pautam o calendário da classe política. Se a TVI marcasse uma entrevista com Jorge Jesus para falar sobre o processo de transferência para o SLB, as futuras contratações e os objectivos da temporada para a equipa do milhafre, a jornada de Sócrates conquistaria a relevância de um Vitória de Setúbal x Estrela da Amadora a contar para o torneio "Heróis do Fofo". Para Jesus todos os adversários são bons. Manuela Moura Guedes advertiria o messias para o caminho da cruz. A crucificação entraria numa encruzilha. A redenção materializar-se-ia noYoutube e na blogosfera. A ópera protagonizada pelos dois interpreteis garantiria duas aberturas de telejornal, a liderança nas audiências da estação de Queluz e, claro está, mais duas dúzias de pérolas no anedotário nacional.
Nem sempre a arte consegue imitar a realidade.

Este ano, a falta de liquidez permitem-me passear entre as assoalhadas da estufa do lar. Sem os cânticos populares e as entrevistas aos amigos dos jogadores, o evento do dia é uma entrevista com o chefe do executivo. Parece-me relevante, mas faltam os cachecóis verdes e vermelhos em punho com as garrafais letras cor de canário a gritar Portugal, durante toda a emissão do Praça da Alegria.

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