sábado, 27 de junho de 2009

Memória

Resolvi o incómodo problema. Comprei um Timex digital. O modelo que uso está para os relógios como as pantufas para os sapatos. Se por um lado é confortável não ouvir a respiração que dá vida ao gigante e ao anão, por outro lado embaraça-me sempre que preciso entregar umas moedas em troca de uma chávena preenchida pela essência de um grão torrado e moído encaixado numa vaporosa máquina que, como uma baleia, lança jactos para os pequenos bebedouros das senhoras mais idosas. "Sai uma escaldada!!". Sai. Bate no passivo pires, enquanto o balcão exibe uma gotícula salva pela pressa alheia. A pressa da hora, a mesma dos outros dias. Todos. "Ai! Queimei a língua". Língua escaldada, copo de água deseja.

O murmurinho do tempo é um tambor. É o batuque que transforma violino, flauta e piano em Orquestra. O timex é como uma máquina de café... um jacto de tiques e de tliques luminosos.

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