quinta-feira, 11 de junho de 2009

“Os brócolos são para comer”

Os grandes marcos da vida de um indivíduo comum são sempre fúteis. São formas para conquistar uma e outro objectivo ainda mais leviano e desprovido de senso. Durante os primeiros anos de vida, apurei uma habilidade especial que consistia em imitar as sirenes dos carros da Balada de Hill Streat para garantir que não iria para a cama sem a respectiva dose de biberão.

A infância mudou o efeito gerado pelo meu desempenho Maria Calasco. Em vez de comida, ou de uma qualquer outra vontade concretizada, a espécie “mais grande”sentia um certo azedume sempre que preparava uma nova perseguição. A melodia deixou de agradar aos tímpanos alheios. Tinha caído em desgraça: Os dotes vocais deixavam de gerar um influência positiva. Os bandidos dos brócolos eram imunes à voz da autoridade.

Árdua tarefa. Outra vez. Árdua tarefa. O raio da leguminosa, quase aos 30 anos, tinha de ser substituída por um inútil cartão de plástico. Para poder acelerar pela IC19 já não me basta um Fagulha – o coelho de estimação da época- que aproveitava o reforço alimentar, generosamente por mim disponibilizado. Pouco depois do roedor começar a devastar o verde talo amolecido pela panela de pressão, a minha colher escavava lentamente a merecida sobremesa. Os grande marcos da vida de um indivíduo são sempre fúteis. O falecido dom Fagulha não me pode salvar. Enquanto não decoro a sinalética, contemplo o novo motivo para os engarrafamentos na IC19.



Sem comentários:

Enviar um comentário