segunda-feira, 22 de junho de 2009

vá lá

Manuela não pede a maioria absoluta. Em democracia, o acto não é lisonjeiro. Pedir o triunfo não é bonito. Imaginem o Luís Felipe Vieira a pedinchar a conquista do campeonato ou o Obikwelo a pedir a vitória na prova dos 100 metros, por ser o único atleta europeu em competição.

Pedir não é bonito. Passa a sensação de esmola, de decadência. E Sócrates pede. Ferreira Leite, não. Mérito e legitimidade conquistam-se. O trabalho faz nascer a obra, mas nem tudo é fruto da jorna. O homem pode lutar pela atenção da mulher, mas o triunfo não está nas horas de dedicação, mas na força das imagens que vão persistirão nos pensamentos da pretendida.

Manuela Ferreira Leite poderia ter feito um brilharete eleitoral, não fosse essa variável incómoda - e pouco distante - chamada memória. Em Novembro do ano passado, a líder do PSD questionou "se não seria bom haver seis meses sem democracia", ao falar sobre a reforma do sistema judicial. Prosseguiu no devaneio. "Eu não acredito em reformas quando se está em democracia, quando não se está em democracia, é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se; e até não sei, se a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então, venha a democracia».

Hoje, após a derrocada do PS nas Europeias e o pedido manso de Sócrates numa maioria absoluta, Ferreira Leite dá uma lição de comportamento democrático perante as câmaras das quatro estações de TV. Não pede a maioria absoluta, mas uns seis meses sem democracia até podem vira a calhar... No futuro

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