domingo, 2 de agosto de 2009

12 meses depois

O orçamento do meu vizinho do lado, mesmo trabalhando na Gulbenkian, era insuficiente para comprar uma praça. Segundo os esquiços de História Contemporânea, sobreviver em Portugal era tão complicado como convencer o Veloso a cortar o bigode ou persuadir o Marcelo Rebelo de Sousa a dar umas braçadas no Tejo. Bem a segunda acabou mesmo por acontecer. A praça rubra deve ter permanecido nos sonhos do vizinho, mas as paredes coraram com as latas de tinta, compradas depois da temporada em Moscovo. meu vizinho do lado via televisão da sala vermelha O petiz mergulhado no berço ganhou um amigo novo. O Mishka era um peluche da velha guarda, tinha uns tímpanos de aço, dizem.

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